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Tema de Fundo

HIV – A NOSSA LUTA DE CADA DIA

Nos primeiros cinco anos de actividade passaram pelo ‘Centro DREAM’ da Matola dois milhares de mães. Devido aos cuidados ministrados, 98% delas não transmitiram o vírus do HIV aos seus bebés. A cada dia repete-se a luta contra o estigma e contra o preconceito. A oferta da terapia anti-retroviral com o objectivo de cuidar delas no período pós-parto, a educação sanitária e a amizade são elementos fundamentais para estas mulheres. Tudo tendo em vista a boa saúde das mães e, por conseguinte, a dos seus bebés.

 

 

Já sabe qual será o nome do fi lho quando nascer. Será Vitória se for menina, e Eduardo se for rapaz. Faltam apenas dois meses para o parto, e Joana está muito contente com o seu terceiro fi lho. “Este bebé não estava programado, mas é muito bem-vindo.”

 

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Nacional

Malária mata 746 pessoas em Sofala

Segundo as autoridades sanitárias, de Janeiro a Setembro deste ano, na província de Sofala, a malária matou 746 pessoas, sobretudo crianças com menos de cinco anos, mulheres grávidas e velhos. Registaram neste período 480.575 casos de pacientes com aquele tipo de doença. O número de óbitos e de casos diagnosticados subiu este ano, comparativamente a igual período de 2007, no qual o sector da Saúde afirma terem ocorrido 282 óbitos, de um total de 479.938 pessoas que acorreram às unidades sanitárias.

A cidade da Beira, os distritos do Dondo, Nhamatanda, Búzi e Caia são tidas como sendo as regiões onde foram diagnosticados mais casos, daí o facto de terem sido privilegiadas na campanha de pulverização intradomiciliária, uma medida de combate a mosquitos, sobretudo anófeles, transmissores da malária.

A campanha de pulverização já abrangeu 2.279 casas, das 2.354 previstas, calculando-se a taxa de cobertura na ordem de 95%. Deste modo, estão protegidas 8.022 pessoas das habitações até agora abrangidas pela medida.

Outra medida de combate à malária consiste na distribuição de redes mosquiteiras, segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias de Sofala, à margem da celebração de mais um aniversário do Dia da Malária na África Austral, cujas cerimónias, nesta província, decorreram no distrito meridional do Búzi.

A distribuição de redes mosquiteiras, para além das autoridades governamentais, envolve igualmente algumas organizações nãogovernamentais no âmbito da execução de projectos em prol das comunidades.

Por exemplo, o projecto COMUSANAS (comunidades sãs) tem vindo a distribuir as redes mosquiteiras nos três distritos da zona sul de Sofala, nomeadamente Búzi, Chibabava e Machanga. A coordenadora do projecto COMUSANAS, Maria de Lurdes Mboana, baseada no Búzi, confi rmou ao nosso Jornal que quantidades razoáveis de redes mosquiteiras têm chegado às comunidades. As pessoas mais benefi ciadas são sobretudo crianças de menos de cinco anos e as mulheres grávidas. “São várias as quantidades de redes que distribuímos, e registámos que o impacto é positivo a nível das comunidades, porque as pessoas passam a estar protegidas”, frisou Maria de Lurdes.

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Nacional

Desde o início do ano – Violação de menores cresce a um ritmo assustador

Casos de violação sexual de crianças (meninas), especialmente entre os sete e os 12 anos, estão a subir vertiginosamente nos últimos tempos na província de Sofala, uma situação que está a preocupar sobremaneira as autoridades governamentais, com destaque para o sector de Justiça, tal como foi divulgado no decurso das cerimónias do Dia da Legalidade, recentemente celebrado.

 

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OBITUÁRIO

Anabel Ochoa (1955 – 2008) – 53 anos

Reiterava que se falasse de sexo de uma forma clara, numa linguagem simples, não havendo grande volta a dar à exposição do tema. O seu tom era duro, se bem que não ofensivo. “Não acredito que existam morais. Creio que são, defi nitivamente, máscaras.

Existe a economia e o poder; ambas estão ligadas e a partir daí inventamos normas onde quem tem o poder e o dinheiro é que manda. Se devemos algo às vítimas da SIDA foi o facto de nos obrigarem a falar de sexualidade. Se não existisse uma doença mortal continuaríamos com uma moral dupla, sem nos darmos conta da falta que a informação fazia à sociedade.”

As palavras são de Anabel Ochoa sexóloga, escritora, radialista, comunicadora nascida em Bilbau, Espanha, em 1955, e falecida na passada quarta-feira no México – país onde residia há 20 anos – vítima de uma embolia. O corpo foi cremado e as cinzas trasladadas para a Riviera Maia (Quintana Roo) onde foram lançadas ao mar na passada sexta-feira como era seu desejo. “Ela nasceu em Espanha mas amava este país [México]. O que mais apreciava era o ‘mariachi’ (dança tradicional mexicana). O seu legado há-de permanecer na vida das pessoas com quem se cruzou”, comentou a sua fi lha, a actriz Diana Lein.

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Editorial

Algumas notas eleitorais

Pois é, a primeira coisa que há a destacar nestas terceiras eleições autárquicas é um índice de participação muito superior ao dos dois pleitos anteriores. A campanha de apelo ao voto parece ter sido bem acatada, como demonstram os cerca de 50% de eleitores que se deslocaram às mesas de voto a nível nacional. Em algumas autarquias o nível de participação chegou mesmo aos 60%! É bom, muito bom mesmo. Estes números provam a vitalidade da nossa democracia que, embora jovem e inexperiente, parece ainda ter muitos crentes.

Segundo aspecto a realçar: a razoável, em alguns casos mesmo bastante boa, organização dos órgãos eleitorais que, excepto um ou outro caso, deram uma boa resposta à demanda. Uma das excepções ocorreu na Beira onde um presidente de Mesa justifi cou o atraso na abertura das urnas e a pouca celeridade do processo com a frase caricata: “Não estávamos preparados para tanta afl uência, daí o atraso”, como se o normal fosse as pessoas não irem votar. Esta mentalidade, infelizmente bastante enraizada, constitui uma inversão total dos princípios que devem presidir uma eleição, porque, no limite, as Mesas devem estar preparadas para receber todos os eleitores inscritos nos cadernos eleitorais. Desta vez só compareceram metade. Se tivessem comparecido todos nem imagino qual seria a reacção daquele senhor!

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Grande Maputo

Magoanine e CMC ligados – “Marcos Mabote”: martírio compensado

Todos – ou quase todos – são unânimes em afi rmar que o sofrimento a que estiveram sujeitos enquanto se procediam às obras de construção da Avenida Sebastião Marcos Mabote, ligando Magoanine ao CMC, na cidade de Maputo, parecia levá-los à colheita do diabo. É que, o tempo que se levava – de carro – para sair do CMC para Magoanine ou daqui para o CMC, equivalia a um calvário. E esse martírio durou cerca de um ano.

Só de pensar – enquanto se dormia – que no dia seguinte era necessário percorrer os mesmos atalhos do castigo, que se consubstanciavam em buracos e poeira e estreitamentos, em direcção ao local de trabalho, esse sono deixava de ter sentido. Levava-se menos tempo a ir de CMC à Manhiça, do que a sair dali à Matola. Só para se chegar a rotunda de Magoanine, viagem podia levar cerca de uma hora, mais outra hora para se chegar à Matola.

Era um drama que matava a carne e o espírito todos os dias. Mas tudo isso – para gáudio de todos – já passou, pois a avenida que leva o nome do grande general (Sebastião Marcos Mabote) já está aberta ao tráfego, signifi cando que o trajecto sinuoso que parecia levar à colheita da morte, transformou em colheita do alívio, acabando, deste modo, com o sofrimento.

 

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Grande Maputo

À quarta-feira – “Manif’s” viram rotina

Em cada quarta-feira, num ritual cada vez mais igual, centenas de jovens desfi lam pela cidade de Maputo a exigirem qualquer coisa. De certo modo, já não estão a exigir seja o que for, que isso se perdeu na memória dos tempos e da repetição do gesto. Hoje, apenas cantam, dançam e lançam impropérios contra o Governo e quem nele manda. Por já ter ganho foros de rotina, há uma generalizada indiferença em torno deste acontecimento. Da sociedade e do Governo. Será que a sociedade se sente segura, tranquila, feliz consigo própria, ao ver estes seus fi lhos nesta situação? Será este assunto um nada para o Governo? Até quando?

Foto: Sérgio Costa
A razão fundamental para que venha a lume uma refl exão em torno deste velho problema foi o facto de a última manifestação destes jovens ter-se aproximado do local da campanha eleitoral do partido no poder. No conjunto dos esforços de levar a sua mensagem a quem acham melhor ser o destinatário, nada há de estranho em se terem dirigido àquele local e do modo como o fi zeram. Novidade e estranho é o facto de um candidato em campanha pela urbe dizer que os jovens estão com inveja da festa, “a nossa festa”. Festa do Ministro da Juventude.

 

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Tema de Fundo

“EU JÁ NO REMEMBER XIPAMANINE”

O mito degenerou completamente. É como se tivesse morrido outra vez o lendário Matateu, que chegou um dia – na sua única visita de reencontro com a terra – a Maputo e disse: “Eu já no remember Xipamanine”. Na verdade, quem conheceu Xipamanine, quando era Xipamanine, hoje não vai reconhecer, concerteza, aquele lugar amanhado de histórias e histórias.

 

 Xipamanine transformou-se em depósito de dejectos espirituais, onde tudo o que ali acontece é comandado pela desordem. Uma desordem debroada de crime, que está sempre latente. Há uma luta permanente nas pessoas que procuram – sem olhar a meios – um espaço para sobreviver, nem que isso venha a signifi car um atropelo ao civismo e ao respeito pelo próximo. Xipamanine já não é o mesmo destino e tudo indica que jamais voltará a ser. Este lugar depravou-se.

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Desporto

Achirafo Abubacar – De mestre da bola a Meritíssimo Juiz

Aos treze anos, apenas com a quarta classe, perdeu o pai e teve de deixar de estudar, para ganhar a vida, apoiado pela mãe e pelo irmão mais velho. O futebol era a paixão. Só treze anos depois retomou os livros, ingressando em aulas de educação de adultos, a pensar num curso de contabilidade. Terminada a secundária, ingressou no Instituto Comercial. Mais tarde, um amigo, o Alfredo Muchanga, propôs-lhe um desafi o: o ensino superior. Pensou em Economia, mas aceitou cursar Direito. Cinco anos depois, formou-se e daí para a Magistratura foi um passo. O caso BCM terá sido o que mais impacto teve na opinião pública, mas outros bem “quentes” lhe tinham antes passado pelas mãos.

Jura, pela sua honra, dizer a verdade e só a verdade, nesta entrevista sobre a sua paixão pelo desporto?

(Risos) Sem dúvida!

Assim começava a entrevista, longe do ambiente carregado dos tribunais. Traje informal, sorriso de orelha a orelha, temos à nossa frente Achirafo Abubacar, o juiz do Caso BCM. Para os amigos, o nosso personagem é conhecido apenas por um nome de quatro letras: Fito.

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Desporto

Atlético Muçulmano vence a edição 2008 da Taça Moçambique Mcel em futebol

 

 

Os muçulmanos da Matola conseguiram a proeza após vitória por uma bola sem resposta diante do Chingale de Tete, naquela que é tida como sendo uma final inédita. Foi a primeira vez que as duas equipas chegavam a esta fase da Taca, a segunda maior e mais importante prova do futebol moçambicano.

     

Com apenas três anos de existência, o clube Atlético Muçulumano já conseguiu fazer história no nosso futebol. História que mesmo formações com vários anos nestas lides futebolísticas não conseguiram fazer. Aliás, esta taça junta-se ao título de vice-campeão nacional de futebol, que foi vencido pelos locomotivas da capital do país. A equipa comandada por Arnaldo Salvado chegou a final depois das vitórias sobre o Clube do Chibuto (7-1), nos quartos de final e 2-1 diante do Ferroviário de Nampula. O Atlético Muçulmano será o representante de moçambique na Taça Nelson Mandela.