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Motores

Txopela – Rápido, barato e amigo do ambiente

Chama-se Txopela e cumpre três funções: dá emprego a jovens – com impacto directo nas famílias – é barato e amigo do ambiente. É, sem dúvida, a solução mais barata e cómoda para quem não pode pagar um táxi convencional e se recusa a viajar no caótico chapa.

 

O tom plúmbeo do céu da manhã da quinta-feira, 24 de Outubro, fundiu-se na perfeição com amarelo dos quarenta motociclos de marca Bajaj made in India. De acordo com Erik Charas, responsável pelo projecto Txopela, o primeiro grande objectivo da empreitada foi proporcionar emprego a quarenta jovens. Isso mesmo confirmou Adriano Paciência, condutor de um dos motociclos que, ao nos dar uma boleia de cinco quilómetros, tornou-nos num dos primeiros “txopeladores”.

 

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Grande Maputo

7 Maravilhas de Maputo

No próximo dia 10 de Novembro a Cidade de Maputo festeja mais um aniversário. Numa altura em que passam 121 anos de elevação de Maputo a cidade, o @ VERDADE associa-se às festividades promovendo o passatempo, inspirado nas consagradas “Sete Maravilhas do Mundo Antigo”, intitulado “As Sete Maravilhas de Maputo.” Seleccionámos, entre todos os nossos colaboradores, 14 locais – edifícios, pontos geográficos, históricos, etc. – incontornáveis para quem visita a cidade das acácias. Esta, como todas as escolhas, também foi arbitrária, mas alguma tinha de ser. Agora, caro leitor, tentando tornar a decisão final o mais justa possível, caberá a Si decidir as sete +. Deste modo, ficarão de fora outras sete. O seu voto deverá chegar-nos até ao dia 9 de Novembro. A escolha agora é Sua.

Envie-nos o seu Voto por Email averdademz@gmail.com ou por SMS para os números 821115 ou 8415152 (2MT por SMS) – mensagem com o formato SM X onde X é o número correspondente a Maravilha que pretende votar.

Ponha o Rato em cima da imagem para saber o nome da Maravilha!

 

SM 1

 

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Desporto

Ramira “air” Langa

Quando “todo o mundo” saltava para o cesto, ela “esperava” no ar, fazendo gala da sua capacidade de “flutuação”; quando as adversárias desciam, ela subia e marcava o cesto. Técnica quanto baste, muita força vinda do atletismo primeiro, e do andebol depois, fizeram de Ramira Langa, uma das mais fortes, versáteis e completas atletas do pós-Independência.

 

Viveu noites de glória no basquetebol, mas o seu coração “batia” pelo andebol. A mudança de modalidade ficou a dever-se ao desejo de novos e mais difíceis desafios. Hoje, com dois filhos, casada com o actual Seleccionador-adjunto, Miguel Chau, faz uma vida no meio de negócios fora do desporto, mas confessa ter uma pontinha de saudade do “néon” dos campos e do cheiro do balneário.

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Grande Maputo

Apesar de tudo, a vida continua

Mazumana

Num dos bairros com menor poder de compra do grande Maputo, algumas pessoas vivem do que o sacrifício garante e Deus promete. Na Mafalala, falta quase tudo. Mas para Lulu, com a peneira de amendoim nos braços, sobeja a certeza de que a maior das fortunas é ter fé, saúde e crianças em seu redor.

O dia ainda não se decidiu a nascer, o vento desliza pelas ruas, aquieta-se nas bermas das paredes de zinco, assobia nos charcos de água suja. São seis e picos da manhã quando uma porta, desengonçada pelo uso e pelo tempo, se abre. Do outro lado está Lulu, Lúcia Sigaúque no assento de nascimento. Lulu desconhece aconchegos, o sol abrasador é a mais doce de suas penas. Tem 54 anos e uma peneira de amendoim torrado entre os braços. Agora é hora de partir para vender nas ruas da cidade de Maputo. A receita garante o sustento da própria e de mais cinco: três filhas, a mais nova com 24 anos, e dois netos, que já andam na escola. “A vida não está nada fácil.” Lulu é mulher de fibra, não alinha nos queixumes da velhice nem disputa doenças com as vizinhas, mas pedirlhe para falar do seu trabalho abala-lhe a estrutura. Os olhos molham-se um pouco. “Não está nada fácil”, repete. Há mais de 21 anos o sonho das minas levou-lhe o marido, não se sabe para onde. Há dez anos, perdeu o emprego como doméstica. Foram 26 anos de labuta em casa de uns suecos e depois nada: os dias vazios, o retrato de um homem na parede como que a dizer-lhe anima-te. “Olhe, sabe o que faço? Ando sem parar, para tentar vender tudo.

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Tema de Fundo

Comboio volta a apitar na linha de Sena

Paira uma luz no fundo do túnel nos distritos de Muanza, Cheringoma e Marromeu, na província central de Sofala. É que 25 anos depois da paralisação, devido à guerra dos 16 anos, o comboio já está a apitar, a título de ensaio, na Linha Férrea de Sena, que está a beneficiar de obras de reconstrução.

 

A Linha Férrea de Sena parte do Dondo, na província de Sofala, até a vila carbonífera de Moatize, em Tete, no Centro de Moçambique. A ferrovia tem um ramal para Marromeu, onde existe uma açucareira, e atravessa os distritos de Muanza, Cheringoma e Caia, em Sofala, e Mutarara, na província de Tete.

 

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Editorial

É só fumaça! E se não fosse…

Quando na passada quarta-feira, por volta das 10 horas, estacionei o carro na Vladimir Lenine, bem antes do encontro desta com a 24 de Julho, já o fumo saía com enorme intensidade dos pisos superiores do edifício da Direcção Nacional de Contabilidade Pública e Orçamento, departamento sob alçada do Ministério das Finanças.

 

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Música

Xadreque Mucavel

Autor de “Ximbomana” tem saudades da censura

 

Xadreque Mucavel é um dos ícones da música ligeira moçambicana. A sua entrada para esta vertente cultural aconteceu com a gravação do tema “Sónia uta Rhandza” nos anos setenta, uma declaração de amor que se mantém sempre actual. Ao longo do seu percurso de pouco mais de 35 anos de carreira, o músico registou grandes temas como “Pitory”, o popular “Ximbomana” e “Barigana”. A sua voz caracteristicamente rouca e grossa, constitui um elemento de atracção e diferença.

 

O músico tem quatro álbuns editados, para além de inúmeras canções publicadas no tempo colonial sob a chancela da Produções 1001 e depois do INLD (Instituto Nacional do Livro e do Disco). Xadreque começa a cantar em 1972 com uma banda chamada “Black Boys”. Na altura apresentavam-se em cinemas e centros culturais como Ntsindza, Folclore, Sheik, Zambi, Dragão e Gil Vicente. “Éramos contratados por várias casas de pasto e abrilhantávamos as noites com música ao vivo e fazíamos boas composições, com conteudos educativos, porque havia censura”.

 

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Música

DJ Marcel

O arquitecto do sucesso dos outros

Marcel Rutschmann , natural da Suíça, formou-se em música numa escola de jazz e integrou uma banda, com a qual fez mais de 300 concertos. O gosto pelos sons tradicionais moçambicanos trouxe-o para este território banhado pelo Índico em 1995. Chegado ao país da marrabenta, mais concretamente à cidade da Beira “transladou-se” da música para a produção de videoclipes, onde se notabilizou.

 

Fruto de ideias e algum dinheiro poupado, decidiu enveredar pelo mundo audiovisual, e, para não se “ausentar” completamente da música, começou a trabalhar como DJ. Embora não o assuma, Marcel é hoje considerado pelos músicos um dos bons se não o melhor produtor de “videoclipes” no país. Estima ter produzido desde que chegou a Moçambique 100 vídeos.

 

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Cultura

Grupo cultural Kutenga

Kutenga é uma expressão do Changana que em Português quer dizer sossego. É também nome de um grupo cultural do grande bairro de Maxaquene (um famoso subúrbio da cidade de Maputo) que congrega 35 elementos que se dividem entre a prática do teatro e a dança tradicional. O grupo existe há sensivelmente dez anos e participa regularmente em festivais nacionais e em movimentos de consciencialização sobre o HIV/SIDA, através de um teatro educativo.

 

O grupo cultural Kutenga, com o apoio de algumas Organizações Não-Governamentais que trabalham na área de promoção e divulgação da nossa diversidade cultural, tem feito chegar as suas criações coreográficas e teatrais a diversos pontos de Maputo. Segundo Reginaldo Macuácua, porta voz do grupo, o teatro do oprimido e interactivo são os principais actrativos que fazem com que as massas se juntem ao grupo em cada uma das suas exibições. Xingomane e Muthimbha são em termos de dança o cartão de visitas do Kutenga que, para além das manifestações culturais, se preocupa com a educação cumunitária sobre Saneamento do Meio e advoga a questão da luta contra a discriminação do seropositivo. As sessões de teatro têm lugar tradicionalmente todos os sábados nos lugares de maior concentração de pessoas como mercados, centros de saúde e escolas.

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Cultura

Bienal TDM 2008

O concurso que descobre artistas

 

José Carquete e Dinis Muhai são a mais recente revelação no panorama literário nacional. Os dois jovens venceram a última edição do concurso literário instituído pela empresa TDM (Telecomunicações de Moçambique), denominado Bienal TDM, e destinado a novos escritores de todo o país e que nunca tenham publicado uma obra literária. Deram entrada no concurso mais de 30 trabalhos e venceram apenas dois, nas categorias de Conto e Poesia.

 

Como prémio do concurso a TDM atribui aos vencedores a oportunidade de publicar os seus trabalhos em livro. E desta feita a oportunidade coube aos jovens José Carquete e Dinis Muhai, ambos da província de Maputo. O jovem Dinís Muhai que se sagrou vencedor do concurso na modalidade de Poesia com a obra intitulada “Rascunhos para uma comunicação improvável”, disse ao @ Verdade que nunca teve a pretenção de publicar um livro, mas também nunca conseguiu parar de escrever. “A escrita ela simplesmente acontece, participei neste concurso devido à pressão das pessoas próximas de mim que sempre souberam como escrevo”. Com um percurso na escrita iniciado em 1993, o jovem hoje com 35 anos de idade, diz ter sido motivado a escrever pelo facto de ter convivido com vários escritores moçambicanos durante a infância e por se ter familiarizado com uma grande biblioteca que o seu pai tinha.